quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PABX - Um pouco de História

Central dos telefones da linha 4. O equipamento à direita era chamado "Horizontal" - DG (Departamento de Geradores) e à esquerda, os relês (um para cada número telefônico), chamado de "Vertical". Uma área bastante barulhenta...


O DG - DG ou Departamento de Geradores era onde estava a "horizontal" ou saída do número telefônico para a rede externa, começava no número 4-0000 e ia até o número 4-9999, sendo os assinantes identificados por uma numeração de código.

Quem trabalhava aqui era o Auxiliar Técnico de Rede - popularmente chamado de "ligador", que tinha de soldar a fiação para instalar a linha, e retirar a solda e a fiação quando um assinante requeria mudança de endereço. Havia o cuidado de verificar as "Caloríficas", uma espécie de pequeno fusível que protegia dos raios a casa do assinante e a central, pois era muito comum eles atingirem a rede ou ocorrerem altas voltagens, geradas por acidentes com a fiação elétrica. Em tais casos, as caloríficas se soltavam e caíam, sendo necessário verificar as lâmpadas que se acendiam como alarme e procurar pelo defeito para saná-lo, recolocando a calorífica correspondente.

Podemos ver a fiação que deles saía para os cabos nas "verticais", e delas - pelo subterrâneo ou "Galeria de Cabos" - ia para as ruas. Nesse local ainda hoje existe muita cabeação externa de cobre encapada por pano ou papel, que foi abandonada devido à sua substituição por materiais mais modernos.

O CT - CT ou equipamento da central era o local onde se gerava a alimentação de cada linha e era marcado o consumo de cada assinante. Ocorria muitas vezes de um desses equipamentos - o popular relê - emperrar durante a discagem do telefone na casa do assinante. Então, no maquinário era disparado um alarme e o conservador (técnico da central) rapidamente ia verificar o que estava ocorrendo e sanar o problema. Hoje em dia a informatização eliminou os seis conservadores que trabalhavam em escala de revezamento nessa central, sendo necessário se adaptar à chamada era da informática para assumir o posto de serviço.

 
 
 
Mesa de testes de instalações telefônicas, remanescente da II Guerra Mundial (exceto o telefone branco, mais moderno). Foi salva da destruição a machadadas e enviada para museu
Foto: acervo do professor e pesquisador Francisco Carballa, de Santos/SP


Mesa de testes - A Mesa de testes era o local onde eram testados os números com defeito. Ali era apurado se o "APA" ou aparelho telefônico estava fora do gancho, motivo pelo qual era acionada uma espécie de sirene, que muitas vezes chamava a atenção do proprietário para rapidamente colocar o fone no gancho.

Ocorriam problemas de voltagem ou cruzamento com outras linhas, o que dificultava a ligação, sendo um problema que, ao ser constatado, era solucionado com os instaladores na rede externa. Também problemas relacionados ao excesso de extensões eram detectados, ou o mau funcionamento do disco do aparelho doméstico (hoje trocado pelo teclado digital).

A antiga mesa de testes foi usada até que chegaram as modernas. Pertencente ao início do séc XX, a meu pedido foi levada para o Museu do Telefone em São Paulo, para que escapasse da marreta. Infelizmente, o aparelho telefônico antigo e preto, chamado popularmente de "Pé de Elefante", foi levado alguns dias antes dessa foto, por uma pessoa influente, sendo colocado em seu lugar um aparelho mais frágil dos anos 70.

Para ligar a cabeação externa à mesa de testes era usado um cordão elétrico recoberto por pano chamado de Gigher, com um dispositivo nas pontas dos fios chamado popularmente de jacaré por se assemelhar a esse animal. Na outra extremidade ficava um pegador para conectar ao encaixe e assim poder testar a voltagem da linha externa com o instalador, pois somente com a isolação limpa era que a linha funcionaria perfeitamente, sem o popular barulho de "mastigar bolachas" (estática).

 
 

 
Mecanismo de relojoaria marcador dos pulsos telefônicos, que comandava a contagem desses pulsos (um a cada 4 minutos) para a cobrança das ligações locais feitas pelos assinantes
Foto: acervo do professor e pesquisador Francisco Carballa, de Santos/SP

Pulsos - O relógio marcador dos pulsos era um equipamento inglês com dois enormes pêndulos que ficavam constantemente balançando a esquerda para a direita, e possuíam uma engrenagem que, a cada minuto, movimentava uma pequena trava numa roda dentada que marcava um pulso elétrico; dessa forma eram marcados os minutos de consumo de cada ligação. Era por isso que as pessoas escutavam um "clic", durante as ligações. Tal equipamento, por fim, passou a enfeitar a parede de uma seção.

A Central do 102, 103 e 104, ou central de "Auxílio à Lista", funcionava antes no andar superior da Rua Braz Cubas, 340, sendo transferida para Av. Washington Luiz, 233 (esquina da Avenida Rodrigues Alves), no início da década de 70, até a digitalização e terceirização do serviço no ano 2000, quando foram as telefonistas remanejadas para outros setores e dispensadas em 2003.

 
 

 
Mesa da monitora das telefonistas, que controlava as chamadas em espera
Foto: acervo do professor e pesquisador Francisco Carballa, de Santos/SP

Na foto, vemos em primeiro plano a mesa da supervisora, que prestava atenção em uma numeração que aparecia no visor, referente ao número de pessoas aguardando atendimento, e não podia passar de 5 senão ela falava com as demais telefonistas para sanar o problema. A mesa das telefonistas usava o equipamento do início do séc XX, mas apenas com as "Pegas", para captar a ligação e o fone moderno vulgarmente chamado de "Miguelão", devido ao nome da firma que os produzia no Brasil.

Eram conhecidas as telefonistas tanto pelos seus préstimos para a população quanto na Telesp pelos lautos festins de bolos, doces e salgados que, unidas, promoviam nas datas de aniversário, dia da telefonista, dia da mulher, dia do aumento de salário, dia da meta mensal atendida, Carnaval, Páscoa, dia da Pátria, Natal, Ano Bom, feriados prolongados e outras datas escusas a meu conhecimento. Existia até um quadro de avisos, onde podiam ser afixadas novas receitas para as demais fazerem uso delas: ficava ali bem pertinho do quadro de escala de revezamentos.

Trabalhando em regime de plantão e escala de revezamento, elas desempenhavam seu serviço por seis horas diárias, existindo até um pequeno quarto com camas para seu descanso, que muito serviu durante os piquetes das greves, nas quais as valorosas operárias mantiveram o serviço com o próprio sacrifício voluntário, para não privar a população do atendimento de 102, 103, e 104. Também ocorriam eventuais dobras de serviço, principalmente na temporada de férias ou em datas festivas, quando a quantidade de profissionais era totalmente insuficiente para atender à demanda, surgindo assim uma ótima oportunidade de se ganhar horas extras.

 É ISSO AI ATÉ MAIS GALERA !!! FUIIIII


 

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